quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Vamos ver o que será!







Nem ia escrever sobre esse tema, mas depois que vi na TV os diálogos de Marcos Prisco, revelados pela policia federal para ser veiculado na rede Globo. E o quanto as pessoas defendem um posicionamento a partir do conhecimento raso e falacioso, resolvi me pronunciar.


Poderia considerar nesse meu texto o quando a PM tem seus basilares educacionais fundados no racismo, sexismo e homofobia. De como é difícil ter um dialogo salutar com algumas pessoas desta corporação, inclusive fui vulgarmente ofendida por um tale, que vivia me afrontando neste espaço, porque defendo os direitos humanos. Inclusive me mandando lavar panelas e roupas e afirmando que eu tinha desejo sexual por ele. A sorte deste homem baixo e rasteiro é que minha ideologia é muito bem fundamentada, e não vou usar esse pessoa asquerosa como fundamento para a minha analise.


Primeiro, devemos ter o entendimento sobre a PEC 300 que defende o direito de que todos os policias militares e bombeiros de todo território nacional, tenham o salário igualado aos policias militares de Brasília. Sempre bom esclarecer que o Brasil é uma Republica Federativa, então cada estado tem autonomia para regular o salário de seus servidores, porem, é importante esclarecer que o salário dos policiais militares de Brasília são pagos pela União. Então o pleito dos PM’s se torna justo,neste aspecto.


Segundo, esta corporação que venho analisar, somos nós. Porque a gente ainda acredita que existe segurança publica no nosso "país"? Faça-me uma garapa, há tempos o então ministro da justiça Tarso Genro (não me lembro o ano),lançou um programa fechação que iria revolucionar a Segurança Publica do País. Verbas milionárias destinadas para tal revolução nacional. Onde foi investida essa verba? a Policia Militar tem o comportamento que condiz com a nossa sociedade. Vejo gente que defende Danillo Gentilli chamando gay de veado, gordo de baleia e entre todas as coisas Negro de macacos, e dentro dessa defesa esculhambam as cotas para a população negra, como se essas já existissem. O que essas pessoas sem fundamentação teórica algum defendem, se torna altamente diferente, quando é gritado para elas de forma individual. Pense em um trote para uma pessoa gorda que defende o humorista de 5ª,dizendo que ela deveria acordar mais cedo para frequentar a academia, porque ela é uma baleia por ser preguiçosa? Você pode até pensar o que essa analogia não tem haver com a greve da PM Bahia, afirmo que tudo. Criticamos o comportamento violento, racista, sexista e homofóbico (insisto em frisar sobre isso). Esquecemos que a PM é apenas uma instituição que tem o poder de força, ela nos representa. Não é uma coisa que está acima ou abaixo do sistema social. Ela está dentro do nosso sistema, tentar compreender esta representação estatal fora dessa lógica é perder o entendimento de que precisamos nos desconstruir para fazer o enfrentamento as atitudes truculentas da Policia Militar. Já vi muita gente que fala mal das ações excessivas da PM que aparecem nos jornais de açougue, quando violadas do seu direito privado, exigem que espanque o marginal, ou o oponente até a morte. Se existe corrupção dentro desta instituição, significa que uma parcela da sociedade que detém de um poder, pelo menos de classe, se propõe a corromper esses profissionais.


Terceiro, movimentos sociais não são movidos por uma pessoa apenas. Não é Marcos Prisco a alma desta greve. Os meios de comunicação brincam com a minha inteligência quando querem que acredite nisto. Posso até considera-lo como o grande líder e a voz dessa greve insana, mas ele não está sozinho. Como outros profissionais, os policias militares são corporativistas sim, infelizmente os professores não são. Essa greve se torna inconstitucional porque se trata de profissionais que portam legitimamente armas, acho justo esse aspecto. Porem digo e repito, as leis são invenções culturais, elas mudam de acordo com o contexto histórico, não vamos esquecer que a escravidão do povo negro era legitimada por leis, as leis podem ser lindas e regular uma sociedade, entretanto são tendenciosas, não acho ruim não, mas muitas vezes são injustas. Esta greve é terrível, mas ela é uma ação coletiva, isso aponta que algo de muito errado já estava em curso.


Quarto(geralmente os textos citam até o 3º), essa greve tem um saldo positivo para a reflexão sociológica do nosso povo. Muita gente perdeu o medo e falou mal da policia e do governo do Estado, na minha parca visão, isso é a coisa mais importante entre todas as questões. Provavelmente nada mudará, a PM continuará sendo mal remunerada, pessimamente armada e sendo corrompida pelo sistema. Não sejamos hipócritas a ponto de acreditar que ser honesto no Brasil é algo muito fácil, e que pessoas que vivem sem boa moradia, má remuneração, péssimo sistema de saúde, convivendo numa sociedade de consumo exacerbada, onde os valores estão nos sentimentos de classe, não seja corrompido, porque fez um concurso, onde sabiam antes de assinar o termo de compromisso que o salário ia ser uma miséria. E de forma pior, faz comparações com profissionais que recebem e vivem sob piores condições. Isso é muito falso, e não sustenta. A gente aceita a indecência que é o salário dos deputados e senadores, que produzem bem menos e que são igualmente corruptos.Espero que depois de todo esse movimento, que sacrificou(como sempre) a população que precisa do transporte coletivo, trabalha no comercio e que sempre que precisa da segurança publica, não sabe onde ela está. Aprenda que somos mais que a PM, que governantes e na próxima greve a gente exija desconto dos impostos destinados para a Segurança Publica. Vamos pedir anistia pelos dias que ficamos sem esse serviço. Vamos pedir anistia pelos dias que ficamos sem Saúde publica, sem Educação, sem judiciário. Enfim, vamos parar de pagar impostos e vamos ver o que será!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

esse douramento...


10 passos para frente,10 passos para trás e ficamos no mesmo lugar!

Neste começo de madrugada andei conversando com Zé Vinicius,um artista plástico, conterrâneo e que nunca conversei cara a cara.Admiro o trabalho de Zé e a pessoa que ele demonstra ser nas suas postagens,sempre cheia de rebeldia, e alem de tudo ele é amigo do meu irmão/amigo de Ailton Jr.Onde eu e esta pessoa também nascida em Santo Amaro encontramos nosso ponto de convergência,a crença de que não é no sentido cultural que a nossa sociedade deu de idolatria da vitoria que de fato se encontra a "felicidade".Nós nascemos tod@s muitos saudáveis,com o entendimento de que nos destinamos a algo maior que é amar e se reconciliar com as coisas do mundo,para morrer em paz.Aí vem a cultura e nos desvia,nos torna pessoas doentes.Paulo Freyre no escandaloso e lindo Pedagogia da Autonomia nos diz que quanto mais culturais somos,mais limitados estamos.Vejamos os estímulos  do lúdico na infância,é uma coisa de disputa,competição.Uma super valorização do campeão,que sobre o argumento de disciplinar e valorizar,acaba educando pessoas excessivamente violentas e competitivas.Sofri horrores com as aulas de Educação Física,era péssima em esportes coletivos,só na adolescência a capoeira iria me libertar.Sem mencionar o peso da nota,não se premia pelo mérito,a escola é um espaço de exclusão "filá da puta",nada mais injusto do que uma nota.O culto a vitoria é tão perverso que a gente percebe a violência que se comete quando a sociedade elege o padrão.O que para nós representa uma pessoa vitoriosa? Aquela que detém do poder.Mas todo poder não vem da ausência de amor,segundo Jung?
Por muito tempo fui uma pessoa que era estimulada pela competição,existe uma coisa macabra no machismo,de condicionar as mulheres desde muito cedo para disputarem umas com as outras.Pode até parecer paranoia da minha cabecinha louca,mas tem funcionado assim.Uma disputa infundada e desigual,que coloca o feminino armado contra as mulheres.Já pratiquei muito esse tipo de discriminação,já fui vitima dessa coisa horrenda.Inclusive a bem pouco tempo,fui eleita por duas garotas,que no alto de suas belezas normatizadas,cheia de grifes e desejos de consumo.Moveram uma campanha contra a minha pessoa,com direito a ofensas gritadas na madrugada.Resultado,como boas desejosas de vitorias,essa meninas são consumidoras de direitos.Eu como boa rebelde,escrachei com o nome da que me xingou na internet,resultado:estou esperando a intimação.Essas pessoas não sabem a hora de parar e nem reconhecem que erram,o que elas não querem é perder.
Existe um ditado que é muito utilizado de forma altamente preconceituosa,para justificar a ação de alguns marginais.É o famoso,"ele/a não tem nada a perder!" Os Los Hermanos com a canção de Camelo, O Vencedor me toca profundamente,porque de fato eu não sou muito de ganhar.Já perdi demais,deixei muita coisa para trás.Gente,dinheiro,viagens,vantagens.Gritei muito que estava cansada de perder,porem,tem uma coisa que a gente ganha com o exercício da perda.Aprende-se a deixar as coisas seguirem de forma livre,não existe o castigo e nem o apego.Existe a compreensão de que nada de fato nos pertence e que o momento da felicidade não vem da vitoria sobre o vencido,a felicidade está no inesperado momento da conquista,e para isso não devem existir vencedores ou vencidos,Para as competições das vaidades poderosas,existem as guerras e  estas só trazem dor e prazer macabro,doente.
Sei que muitos vão achar esse texto mais uma maluquice UTÓPICA que redijo,não sou inocente a ponto de acreditar que a cultura da vitoria vai se sensibilizar com esse meu entendimento sobre a perda,entretanto,acredito que neste meu tempo de me desnudar dessa coisa estupida que é a disputa,esteja mais consciente de que o fluxo segue sempre.Posso escolher a guerra,o sangue e defender o que acredito que vale a pena,não vou perder isso,porque não quero.Mas deixarei as coisas passarem,os excessos irem embora,conhecer o que me destinei.Não é feliz ser excessiva,estaria desqualificando a minha ideologia.Entendo que não vai descansar a fúria das pessoas,e sempre estarei no olho do furacão,não sou morna,nem omissa,esse é o preço que pago.Deve ter alguém que me ame assim,meus filhos me amam e em algum momento sentem orgulho disto.
Bem verdade que não vou ser mentirosa a ponto de declarar que algumas coisas que perdi por aí não me fazem falta,existe o calor e o sol,que vez ou outra me tiram do sério.Porem,fazendo uma analise muito critica do que sou hoje,os melhores acontecimentos,as melhores pessoas e o melhor de mim,se revelaram no momento em que eu estava perdendo.A permanência e descoberta de amig@s,a pessoa politica que se revelou,surgem justamento na fase em que aos outros olhos eu estava derrotada.
Zé Vinicius definiu a vida como uma linha com dois pontos,nascimento e morte.O que acontece na trajetória de chegada e partida desses pontos,ele deu o nome de vida.Deve ser isso mesmo,a gente vivi para no final partir,o que para muita gente significa a dor da perda.Porque ir embora dói,a gente se ilude demais com materialidade,e saber perder é talvez aprender a conviver confortavelmente com a dor.Vitoriosos,"patronizados" pela nossa sociedade esquizofrênica não sabem passar pela dor,sucumbem assim que ela se manisfesta e não conseguem se recuperar,por isso geralmente agem de forma desonesta e invejosa,e fazem de tudo que é mais sujo,imundo e perverso quando ninguém tá olhando.
Existem coisas que me dão muito mais prazer e vigor do que a vitoria,pode até parecer clichê,mas caminhar pela vida,encantando e sendo encantada pelas coisas que se movem é bem mais gostoso e louvável.