sexta-feira, 9 de julho de 2010

Preciosas

Acaba o semestre,começa um novo sentimento em mim,o pertencimento de que sou “negona”.Precisou tanto caminho,jubilamento,vagas residuais,desistência,escovas nada inteligentes,para entender de onde vim,nunca tinha parado para pensar,me achava tão “moreninha”.Comecei numa onda,termino em outra,essa é a dinâmica da vida,você se entender como movimento.Assistir ao filme Preciosa,para fazer um trabalho para mais um disciplina que conceitua gênero;mas essa coisa de me entender “negrinha”,fez com que meu lugar de conforto fosse extremamente abalado,pela leitura fílmica.O filme é uma adaptação do romance Push,e todas aquelas coisas,que só os norte americanos sabem fazer,finais felizes.Mas para quem é professor,num país,cheio de poderes escrotos,é terrível,ver que tantas Preciosas se fazem invisíveis,excluídas,aqui não existem projetos sociais de educação alternativa,o que aqui existem,são projetos para enriquecimento ilícito,lavagem de dinheiro,ou política partidária.As relações entre publico e privado,estão cada vez mais distantes,as bolsas de assistência financeira,não são fiscalizadas,então os abusos e as violências,físicas,simbólicas,não deixam de ser cometidas.As diretoras(os) de escola não vão à noite em bairros violentos,dialogarem com os pais,sobre a educação dos alunos/filhos,alias,me corrijam,existe algum link,entre as secretarias de ação social com a de educação,para auxiliar essas pessoas?O problema de inclusão para a cidadania,não está em ajuda financeira,imagine ,aqui que se dá esmolas,o problema está mais entranhado,do que podemos imaginar,essas praticas de oprimido x opressor,estão desde o inicio,na formação social escravocrata.A mulher negra está no cerne desse processo de exclusão.Como aponta Sueli Carneiro,existe uma equação ,que usa dos estereótipos para rotular a beleza feminina e seu papel social.
Negras com traços caucasianos = mulatas = sensuais = boa para o sexo;
Negras a cima do peso = traços “grosseiros” = boa para os trabalhos domésticos, rurais = solidão afetiva;
Morenas claras = românticas = professoras, assistentes sociais, enfermeiras = casamento = provedora do lar.
Essa equação ainda vigora na nossa sociedade,observe os meios de comunicação.Quase desmaio,quando vi,o que o apresentaram como Brasil,no evento que estabelece o nosso país como sede da copa 2014.Apresentadores brancos,um vídeo que propaga a miscigenação,mas no palco,brancos,pareciam argentinos.Fiquei arrasada com o filme Preciosa,porque conheço Preciosas que não tiveram o mesmo fim,vivem prostituídas,ou nas cozinhas dos outros,perderam seus dentes,perderam seus filhos para as drogas,aqui cada um não conta com um,aqui é todos contra todos.É eu tenho me rendido aos Estados Unidos,lá eles tem projetos maravilhosos,desde os anos 60,lá gente famosa,branca,rica e “linda”,segundo os padrões hegemônicos,se fodem na justiça.Enquanto isso,sou solidária,a minha ancestralidade,deixo meus cabelos tocando tambor,já fazem quase 3 anos,me deixo abraçar pelas minhas colegas,lindas e pretas,onde mesmo sabendo que eu “falo demais”,me exibo demais,não sentem inveja disto,muito pelo contrario,me orientam.Não quero beatificar a mulher negra,ou sei lá,quero isso mesmo,só sei que é uma feliz coincidência me entender “preta” no meio de tantas pretas que são mais do que PRECIOSAS,são PODEROSAS

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