domingo, 7 de fevereiro de 2010

ANTROPOFÁGICAMENTE MALDITA...

Meu pai sempre diz que "xereca" ainda tem seu valor,insurportável essa coisa de todo mundo querer comer e ser comido,não quero levantar bandeira da fidelidade ou do sexo só por amor,o que não aguento mais é a curiosidade pela vida sexual alheia,não queria mais desprender energia com esse tipo de assunto,mas não consigo calar.Uma jovem perguntou a minha amiga se ela me "comia",pois disseram a ela que eu era BÍ,recebi um post dizendo que eu era infeliz por não ter um "pau" pra me comer,um pretendente me disse achar estranho minha solidão,um ex colega de trabalho "criou" no seu pervertido mundo da imaginação um tórrido romance onde eu e ele vivíamos personagens dignos dos filmes da "Brasileirinhas",telefonam para mim dizendo que batem punheta em minha intenção,não fico perplexa com nada disto,o que me apavora é a doença das pessoas.Gosto de gente, estranho seria amar com os bichos,mas mesmo amando desta maneira,é uma opção intima,que não deveria interessar a ninguém,porque em nada contribui para a vida coletiva,se fulaninha sapateou ou se o boysinho comeu o viadinho,as pessoas são como escolhem ser e se dão a quem bem entende ou não."Minha carne é de carnaval,meu coração é igual"já diz Moraes Moreira,existe em mim uma espalhafatosa,meus sentimentos são intensos,minha verdade absoluta,entretanto me educo para não direcionar meus desejos para o consumo irresponsável de gente,o que deve encantar nas pessoas,não é a genitália,não fico enlouquecida por um "pau" grande que me "tore" ao meio,nem pela bela cruzadas de pernas,ou pelos olhos azuis estonteantes, sexo é maravilhoso,mas viver comendo gente é terrível,existe uma necessidade capitalista de que quanto mais gente consumimos,temos a ilusão que podemos(lembra Ronaldinho e a traveca?)tudo,até dominar as pessoas,o mercado de gente continua mesmo com a "abolição da escravatura" somos objetos em vitrines,carne de gente,tráfico de gente que cresce e faz forturnas.Deveríamos amar o verbo,a palavra,a nudez sem vergonha das pessoas libertas,sexo simples,descomplicado,lúdico.A vida sexual está cheia de registros,efeitos e paranóias,que ficou chato,não estou desejando ser comida nem comer,decidi fazer dieta,"Pica pura dá gastura",estou voltando minha energia vital para outras coisas mais importantes,que vem através do sexo e fica para sempre "a Família".


P.S:Antropofágicamente maldita é uma citação da música Odara ou desce de Jorge Portugal

2 comentários:

Marcelo disse...

...Todo mundo quer saber com quem você de deita, nada pode prosperar!

Ribeiro Pedreira disse...

Não basta comer e ser comido, é preciso saber quem tá comendo ou sendo comido. Assim é gente e gente não é gente!