sábado, 30 de janeiro de 2010

Feminista

Estamos ainda como sociedade inteligente,muito atrasada em pensar a mulher como cidadã livre,todas as classes sociais e intelectuais ainda praticam violência física e simbólica,não vejo evolução neste aspecto,nós ocidentais julgamos as "burcas",entretanto quando nosso copo de ódio se enche,não temos a menor tolerância com a nudez da mulata "toda enfiada",que contemplamos nos meios midiaticos,porem na vida pratica,utilizamos como desvio de carater.Trocando e-mail com um amigo contava o que mais me assustava em ser uma mulher no mundo materialista,era ter que ser indefectível,deve-se estar sempre linda e magra,atualizada com o conhecimento teorico filosofal,manter um casamento(a mulher sábia edifica seu lar,boa porra),fazer do sexo um "espetaculo",ser uma mãe martire,e ainda contribuir com as desespesas da casa,porque se fizer a opção de ser sustentada por seu marido,será uma desgraça e sempre manter fulgor da juventude.Não tenho filhas,sou mãe de meninos,uma amiga sempre me diz que mulher retada só tem filho homem,mas vejo na velhice das mães que são as filhas que ficam ao lado,educo meus filhos para valorizar sempre o feminino,dos outros e deles também,feminino não significa ser menor,incapaz,todos nós temos heroínas nas nossas famílias,o "morão" da cerca da minha família sempre foi uma mulher,cresci com mulheres fortes,minha avó Amália criou seus 12 filhos mais os 3 filhos do meu avô Ladú com outras mulheres,sozinha,quando ele se entregou ao alcoolismo,vi Jaqueline pari aos 15 anos,mesmo imatura ela disse sim à vida de Elias,deixando seus sonhos para trás,disse também não ao casamento infeliz e morreu "amando com coragem",passei boa parte da minha vida com a doçura e as maluquices de Naninha,que me ensinou a olhar a educação com compaixão sempre,sem rancor,a sempre doar o que se tem,conheci Ivonildes que criou seus irmãos quando sua mãe morreu,mantendo sua dignidade,mas que perdeu seu filho para as drogas,mesmo assim,quando seu próximo precisa do seu auxilio ela está sempre com as mãos estendidas,com a palavra de conforto e a ação,tenho amigas como Gisele,Deislane,Day,Luana (e toda sua familia de mulheres-Kita,Rayane,Raimunda,Renata e Lalai),que vivem presentes na minha vida,na alegria ou na tristeza,e me carregam no colo,não só eu,mas a qualquer um,que assim precise,meus amigos gay's,que mesmo possuindo penis,bate no peito a sensibilidade e criatividade feminina.Levanto a bandeira da mulher mesmo,não somos superiores,o ideal seria não haver necessidade, ainda, de questionar sobre gêneros,sexualidade e raça,isso mostra o quanto estamos longe ,muito longe da democracia,não deveríamos aceitar comportamentos que humilham,minimizam o ser humano,não deveríamos reforçar esteriotipos,isso é burrice,quando falamos que neguinha apanha porque gosta, ofendemos por ser bela ou por ser desprovida de beleza, não aceitamos as rebeldes(como eu),negamos ajuda as submissas na libertação da opressão,quando não elegemos mulheres para os poderes legislativos ou executivo(Marina silva pra presidente),nós estamos condenando não só as mulheres,estamos condenando todo o universo,todo sentido de equilíbrio, apagando a luz da ciência e da espiritualidade,não precisamos mais de pessoas que odeiam, se a vida não é boa e a inveja contamina o coração de alguns,por falta de amor,de serem amados,particularmente tenho compaixão,meu tempo de odiar passou,me sinto bem mais linda hoje,aos meus 35 anos(sem um fio de cabelo branco e eu nem pinto)com meus filhos que sou responsável pela educação,e que foram frutos de relações duradouras e de muito amor , que hoje são meus parceiros(mesmo brigando vez ou outra),sou fruto de uma educação feminista,de uma avó sem formação academica que me educou para não obedecer,não me submeter a nenhum tipo de opressão e que me deu tanto amor(que hoje serve como soro antiofidico,contra ataques de gente peçonhenta)a entender que ser feminista não é ser masculina,saber que a espiritualidade é a coisa mais importante na experiência humana,e que cada pessoa deve ter o direito de fazer da sua vida o que tiver vontade,porem,olhar para as pessoas que estão ao lado,com muito cuidado,para não se envenenar com as coisas da materialidade,e AMAR,AMAR não viver olhando para o próprio umbigo,viver com dignidade de carater,e posso afirmar bons amigos,aprendi o caminho e é esse que estou seguindo,mesmo tropeçando vez ou outra!


P.S:dedico este texto a todas as mulheres que vi o tempo levar:Minha avó Amália,Jaqueline,Naninha,Minha madrinha Irene e dona Aidil Castro exemplos de amor de doação aos irmãos(sou infantil mesmo,amar é um verbo infantil)

3 comentários:

Lourival disse...

Parabens Amália! Fantático o seu texto. Aquela que te criticou, no fundo morre de inveja por não ter a sua coragem. Vc é linda e maravilhosa,mulher de Atena.

Lourival disse...

Parabens Amália! Aquela que te criticou, no fundo morre de inveja por não ter a sua coragem e dignidade de dizer o que pensa.

Marcelo disse...

Parabéns pelo trabalho...

Intenso. Acho que esta palavra define bem minha primeira impressão ao ler seu blog. Feminino? Sem dúvida. Feminista? Também. Mas entendo que antes de ser feminista, intenso ou feminino, ele é libertário. Ás vezes me pergunto quais são as amarras que nos impede de sermos plenos, de efetivamente usufruirmos de nossas potencialidades, e, quase sempre, chego a conclusão de que são as amarras sociais, cultiva pelos costumes e perpetuadas pela ignorância que nos sufoca, e, neste sentido, os libertários são decisivos no processo de evolução do pensamento, da modificação dos costumes e do rompimento com a ordem estabelecida.

Há quem diga que diariamente isso está ocorrendo, que vivemos revoluções por minuto, que paradigmas são constantemente quebrados e novos arranjos são solidificados, contudo, prezo por aqueles que o fazem não pela gana insana do dinheiro, mas, pelo prazer, pela busca incessante da verdade, pela originalidade, pela individualidade que em hipótese alguma deve ser confundida com egoísmo, pela cultura.

O efeito que você causou em mim deve ser o mesmo que você causa em todos que têm contato com você... Foi rápido, mas intenso, e depois deste primeiro contato formal, ainda te vi pela festa, de branco, linda. Não me deu chance de mais nenhum contato...

Parecia querer me pirraçar.... Eu sei, eu sei, quem está encantado tende a fantasiar... Mas eu tinha, tinha, sim, a nítida impressão de que você me olhava e dançava gostosamente passando por mim... Por duas vezes, no dia 31, na festa da purificação, você se transformou em nuvem na minha frente depois de ter flertado comigo (deixe-me seguir nos meus devaneios...rsrs). Sério! Juro que naquele momento eu iria dizer algo que talvez nos aproximasse um pouco mais, mas, sua pirraça não permitiu. Acho que você sintetiza aquele “velho” clichê (se é clichê é por que é velho... rs) que com certeza muitos já devem tê-la enquadrado: Menina-mulher. Será que isso é machismo? Que horrível... kkk

Termino dizendo que gostei tanto do blog quanto de você. Demorei um pouco para escrever por que estava lendo o blog, e realmente li bastante coisa... Acredite, comecei a perceber Santo Amaro de outra forma depois do nosso encontro. Há alguns meses, conversando com minha cunhada que é bacharel em filosofia pela Ufba (Já sabe né: Cerveja, filosofia e altos papos...), encontramos uma passagem em Sartre que, agora, lendo seu blog, acho se parece com você...

“ Somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos nos guiar. E isso torna mais importante nossas decisões, nossas escolhas... Por esta razão, não podemos simplesmente colocar de lado nossa responsabilidade e dizer que 'temos' que ir trabalhar, ou então, que 'temos' que nos pautar por certas expectativas burguesas quanto ao modo como devamos viver. Aquele que assim procede, mescla-se a uma massa anônima e se transforma em parte impessoal dela. Ele foge de si mesmo e se refugia na mentira. De outra parte, a liberdade do homem nos obriga a fazer de nós alguma coisa, a ter uma existência 'autêntica' ou 'verdadeira'". (Sartre)

Espero que possamos nos reencontrar, de verdade, sem pirraça. Espero também que você descubra quem sou eu, apesar de imaginar que você deve receber meio mundo de comentários com este teor. Enfim, seria muito bom te conhecer um pouco melhor.

Boa Sorte

Fica com Deus...