quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ao meu 1 º natal como revolucionária


O MST está na porta do meu trabalho, duas mulheres fazem uma critica aos manifestantes, acusam de serem violentos de agirem com truculência. Imediatamente, com muita violência me posiciono a favor do movimento. Uma dessas mulheres eu gosto muito, colega de trabalho, a outra... Ah essa eu só estava esperando o momento para falar a minha verdade. Quando o prefeito Raimundo Pimenta desviou uma verba destinada ao Movimento dos Sem Terras, tinha uma disciplina chamada “Educação e Sociedade” e tinha escolhido como objeto de estudo justamente esse segmento social. Mesmo nos meus áureos tempos de “burguesinha” (cabeleireiro, esteticista, pinta de artista...). Já considerava justa a causa do MST, quando passei a conviver com eles,no dia de manifestação, contra o prefeito ladrão, esse meu posicionamento só fez crescer. Existe uma coisa perversa na nossa formação social que é a classe baixa, não ser solidária aos movimentos populares. É muito mais fácil acreditar que os Sem Terra são um monte de vândalos e aproveitadores, do que criticar as imagens dos meios de comunicação, onde os proprietários das fazendas são os grandes patrocinadores. A criatura que eu tinha sede de dizer palavras. Veio para o enfrentamento, lógico , tenho cara de idiota, de putinha, de filhinha de papai. Mas ela não contava com a minha voz de trovão e meu discurso político. Com muita virilidade, disse a essa criatura que ela não era proprietária de terras, que ela era povo e como povo deveria voltar sua defesa para onde ela se encontra. Perguntei se algum dia um ladrão entrasse na casa dela e roubasse todos os móveis, e ela ficasse sabendo que ele colocou os objetos roubados na casa da mãe dele, se ela abordaria com gentileza essa mãe conivente? Foi uma pergunta retrograda, pois logo fui afirmando que ela deixasse de ser hipócrita! Alma lavada... Chega de moderação com esse povo que vive a falar o que não sabe. Pessoas vitimadas pelo sistema e que reproduzem o mesmo tipo de violência, que só sabem tratar com fúria os iguais. Os eternos servos dos Doutores, brancos e ricos, parei de ser professora porque em mim não cabe moderação. Quero queimar, arder, não quero viver como essas pessoas mornas, que usam sua energia de força, para falar da vida alheia, pra saber quem trepa com quem, e tratar as pessoas como propriedade privada. Esse ano declarei guerra a algumas formações sociais. Primeiro a família nuclear, não tive, não tenho e não terei (Papai lendo jornal, mamãe na cozinha e filhos assistindo a TV). Segundo ao consumismo das datas comemorativas, aos poucos estou desconstruindo aqui em casa essas tradições. Terceiro calar diante das verdades que me ofendem. Esta ultima é a mais difícil, pois requer uma frieza que é antagônica a quem é quente como eu. Posso até ficar caladinha, mas será apenas até encontrar o momento para mim mais adequado (nem sempre o melhor). Existe uma coisa maravilhosa em viver: “as voltas que a vida dá!”. As pessoas que se sentem acima do bem e do mal, esquecem geralmente de quem elas vão pisando no meio do caminho. Como as Mães da  Praça de Maio,eu não esqueço de nada que me violenta. Quero mudar o mundo, acredito, talvez nem veja esse mundo melhor, mas eu não paro. Não dá pra explicar, nem compreendo isso, acho até bom, se for procurar razão pra esse meu tesão desviante pela humanidade, por um mundo mais equânime, me torne realmente um monstro. Acredito,faço parte dessa revolução, todos fazem. Graças a Deus (criatura que eu acredito mesmo a cada dia detestando os que se intitulam designados para falar em nome dele) eu levanto essa bandeira. Viver pra não mudar é viver infeliz! Eu desejo saber de tudo e derrubar tudo que não fala dos meus, do lugar que eu vim ,que estou e que vou. Não sou altruísta, sou uma egoísta ambiciosa, percebam? Quero felicidade para todos, retificando, para a maioria. Talvez no final, quando ela chegar, seja muito mais infeliz do que o momento mais infeliz que já vivi. Por enquanto tem sido tão bom ser assim, verdadeira, estudiosa, RADICAL! Pode ser também que por conta do amor, essa construção que nos coloca rédea, desista de tudo, do meu projeto egoísta de mudar o mundo para algo mais justo. Isso eu não posso prever, cansei de previsões permeadas em fundamentos emocionais e particulares. Por enquanto me movo e vou tocando por entre pessoas, nem sempre é bom, às vezes é muito ruim, mas pra quem já morreu isso não é o fim.


Assim como Jesus  vivo também os meus natais e os mais lindos são os mais simples,os que  vivo sempre aprendendo que não sou eterna !

2 comentários:

anna disse...

Se as pessoas vitimadas por esse sistema ridículo demonstrassem sua indignações e fizessem mesmo manifestações, não teria tanta injustiça e impunidade como eu vejo por aí, mas muitos ainda ficam intimidadas com os “mais poderosos” e preferem calar-se. Antes abrir a boca enquanto é tempo do que ficar se lamentando depois. Mesmo não vendo esse mundo melhor de perto, acredito que se cada um fizer sua parte é possível sim melhorar.
Dou o maior apoio às manifestações populares e não pra quem fica em casa de braços cruzados se lamentando da vida e criticando quem as faz!

=)

Anna Hilda

Israel disse...

É Amália, você tem razão no seu fundamento... Temos que desmitificar essas datas comemorativas que exarcebam voluptuosamente o cosumismo das pessoas. E o segundo ponto é: Para que o nosso protesto seja ouvido é preciso que nos unamos para exirgirmos dos nossos represantantes o que nos cabe de direito. Abraços. Israel